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Durante muitos anos, a situação dos refugiados foi associada a guerras e conflitos. Gonçalo Saraiva Matias, professor de Direito na Universidade Católica, disse no painel “Lidar com fatores de deslocação”, na abertura do terceiro e último dia das Conferências do Estoril 2017 (CE2017) que, “na atualidade, há mais deslocação de pessoas por causa das alterações climáticas, falta de acesso a água potável e de segurança alimentar”.

 Identificando que “há zonas no mundo onde não é possível garantir provisões para alimentar nos próximos anos a população”, Gonçalo Saraiva Matias, lamentou que o estatuto de refugiado, na maioria dos países, seja ainda “um entrave à integração destas pessoas” uma vez que “só é atribuído àqueles que fogem de perseguições e conflitos”. 

Para o especialista em direito, “todas as outras situações ficam desprovidas de proteção legal nos países para onde vão”. Mas nem tudo estará perdido e ainda há esperança na mudança, uma vez que, como reconhece o professor universitário, “já há países a mudar a legislação interna para integrar estes migrantes” e “as Nações Unidas iniciaram negociações para alterar essa matéria”.
“O movimento dos refugiados não pode ser resolvido por uma única entidade, mas por todos os atores da Sociedade”, afirmou Karen AbuZayd, norte americana, conselheira especial da Cimeira “Abordando Grandes Movimentos de Refugiados e Migrantes”,  “é preciso garantir os direitos humanos a estas pessoas e os Estados têm que estar dispostos a colaborar enquanto países de destino”.
“Comparando o número de mortes dos refugiados com o número de mortes provocadas por acidentes domésticos e rodoviários, os últimos superam os primeiros”, disse John Kidd, Investigador da Universidade de Aston (Reino Unido) e especialista em migração. Os governos devem, na opinião deste especialista, gerir os desequilíbrios demográficos: “35 por cento de todos os refugiados são altamente qualificados e as empresas têm que desempenhar um papel fundamental neste sentido”, afirma. O investigador não tem dúvidas de que os migrantes podem contribuir muito para a riqueza de um país. 
Sein –Way Tan, presidente da Green World City Organization na Austrália, apresentou-se no debate com propostas para tentar resolver o problema da sustentabilidade das sociedades. É preciso “estabelecer uma abordagem diferente ao crescimento urbano”. Para tal, importa “desenvolver tecnologias e edificações mais inteligentes, como a construção de prédios modelares, optar por energias renováveis, fazer uma gestão mais inteligente do resíduos, uma melhor gestão da água e criação de zonas económicas especiais para atrair novas empresas, são algumas das suas ideias para ajudar a integrar os milhares de migrantes atualmente em deslocação pela Europa”.
As Conferências do Estoril, hoje na sua 5ª edição, são um palco de debate entre os maiores pensadores de todo o mundo, centrado nos problemas inerentes à globalização. As Conferências do Estoril são organizadas pelo Estoril Institute for Global Dialogue, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, e contam com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa. De 29 a 31 de Maio, no Centro de Congressos do Estoril, em Cascais.

As Conferências do Estoril, hoje na sua 5ª edição, são um palco de debate entre os maiores pensadores de todo o mundo, centrado nos problemas inerentes à globalização. As Conferências do Estoril são organizadas pelo Estoril Institute for Global Dialogue, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, e contam com o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa. De 29 a 31 de Maio, no Centro de Congressos do Estoril, em Cascais.